Dólar fecha em alta após se aproximar de R$ 2,70

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O dólar fechou em alta pelo quarto dia seguido nesta segunda-feira (15), após se aproximar do patamar de R$ 2,70. A moeda vem pressionada pelo ambiente de incertezas internas e externas, com investidores preocupados principalmente com o futuro do programa de intervenções no câmbio do Banco Central brasileiro, de acordo com a agência Reuters.

 

A moeda norte-americana subiu 1,29%, a R$ 2,6853. Na máxima desta sessão, o dólar foi a R$ 2,7019, alta de 1,91%.

 

Este é novamente o maior valor desde 2005 – máxima que a moeda vem renovando nas últimas semanas. A cotação desta segunda é a mais alta desde o dia 29 de março de 2005, quando o dólar fechou cotado a R$ 2,7031, segundo dados do Banco Central.

 

No mês e no ano, há valorização acumulada de 4,42% e 13,9%, respectivamente. Nas últimas oito sessões, o dólar fechou em baixa apenas uma vez, na última terça-feira (9).

 

“Cada dia que passa o mercado fica mais ansioso sobre o BC. E, quando tem incerteza, o mercado busca proteção no dólar”, disse à Reuters o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

 

Sob o atual modelo de intervenções e marcado para durar até o final do ano, o BC oferta diariamente até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem afirmado que o atual estoque de swaps, correspondente a pouco mais de US$ 100 bilhões, já dá conta da demanda por proteção, alimentando expectativas de que o BC pode reduzir sua presença no mercado em 2015.

 

O mercado também continuava sob a expectativa de quais medidas serão adotadas pela nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff para enfrentar o quadro de inflação alta e crescimento baixo.

 

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps pelas atuações diárias, com volume equivalente a US$ 196,8 milhões. Foram vendidos 2,3 mil contratos para 1º de setembro e 1,7 mil para 1º de dezembro de 2015. Até então, em vez de ofertar swaps para dezembro, o BC colocava papéis para 1º de junho. O BC também vendeu a oferta integral de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de janeiro, equivalentes a US$ 9,827 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 55% do lote total. Após o fechamento da sessão passada, o BC anunciou para esta sessão leilão de venda de até US$ 1 bilhão com compromisso de recompra em 5 de maio de 2015.

 

A perspectiva de política monetária mais apertada nos Estados Unidos também tem contribuído para a alta do dólar sobre o real. O aumento dos juros poderia atrair para os EUA recursos atualmente aplicados em países como o Brasil. O Federal Reserve, banco central norte-americano, reúne-se nesta semana e terá de decidir se descarta a promessa de manter os juros quase zerados por um “tempo considerável”. Além disso, a queda no preço do petróleo também ajudou a impulsionar a moeda.

 

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda nesta segunda-feira (15), mais uma vez puxada pelo tombo das ações da Petrobras, que fecharam cotadas abaixo de R$ 10,  em meio a novo adiamento da divulgação do balanço trimestral não auditado da estatal e queda dos preços do petróleo no exterior. O Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, caiu 2,05%, aos 47.018 pontos. Este é o menor patamar de fechamento desde 19 de março, quando a bolsa fechou aos 46.567 pontos.

Fonte: G1